quarta-feira, 12 de maio de 2010


Vivenciando a Beleza Orgânica


"Ninguém percebe o quanto a maioria das pessoas se esforça para apenas parecer normal".

(Albert Camus)


Olhe à sua volta. Perceba quão notável é o empenho sutil da Natureza ao apresentar, neste grande espetáculo da vida, uma infinidade de formas que funcionam como um colírio caleidoscópico para nossos olhos! O belo é a expressão da Natureza e de sua evolução, e é percebido a partir de padrões formatados por um processo seletivo orgânico que gera o equilíbrio e a harmonia no Universo. Perduram as mais bem elaboradas formas para que as espécies carreguem suas características máximas revelando o maravilhoso potencial da criação Universal. A subjetividade da beleza abre as portas para a percepção de quem somos e nos faz vivenciar o belo refletindo essa aura em todas as camadas do nosso ser.


A beleza não existe quando separada da apreciação, seria ela então relativa? Para uns aquilo é belo, para outros não. Porém, alinhando formas de beleza como a física, mental e espiritual, que integradas holisticamente geram uma harmonia que faz emanar a beleza orgânica do ser. Se nos basearmos apenas naquilo que é externo esquecemos do que existe dentro e geraremos um desequilíbrio, como já dizia o sábio ancião ditado: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". A beleza física só existe através da comparação de um formato com outro, mas quando percebida sutilmente por quem observa, ela se torna única. Quando refinamos nossa percepção do mundo, das coisas e das pessoas, começamos a perceber que a forma visual que temos pode vir acompanhada de outros ingredientes - não mais nem menos importantes - como a beleza mental e emocional. Quando o nível de consciência (beleza mental) de si mesmo é elevado - através da percepção aguçada que nos envolve - consegue-se suavizar a beleza física com auxílio da mente, como por exemplo: uma pessoa que se permite ficar em silêncio por alguns instantes, meditar ao menos alguns minutos por dia e ouvir músicas alegres conseguirá controlar melhor o stress e a irritação proveniente da poluição sonora que nos rodeia o tempo todo na vida urbana cotidiana e emanará um semblante mais harmônico. Alguém que aprecie observar e que busca integração com a natureza já tem um bom caminho andado pois reflete mais sobre seus pensamentos, palavras e ações. Metamorfoseando-se, transformará a si e ao seu entorno irradiando assim todo potencial de beleza que é intrínseca. A beleza emocional reflete o que você é, tanto sozinho quanto em sociedade. Ela promove o equilíbrio interno e a integração o todo. Este tipo de beleza pode ser conquistada e perpetuada por toda a vida. Sentir-se belo evoca em nós o processo de auto-aceitação, então a beleza interior e exterior começam a se equalizar naturalmente.


O "ver" também é um ponto que devemos lembrar a todo o momento. Você pode ter olhado mas não ter visto. Aliás, fazemos isto inúmeras vezes por dia, não é? Quando não exercitamos nosso olhar para apreciar a beleza em si, a vida parece sem sal nem pimenta, sem graça e sem cor. Pare agora e olhe ao seu redor. Quantos elementos, sons, cores, texturas! Aguce sua percepção: tente ver a beleza das coisas como elas "são". Olhe-se no espelho e pergunte-se: De onde vim? Sou uma parte de meu pai, uma parte de minha mãe? Ou será que também pareço com algum antigo ancestral de terras remotas? É interessante lembramos sempre que carregamos em nosso código genético essas informações e que é nosso direito e dever valorizar com muita gratidão nossas raízes e nossas origens para que não se percam. Estamos passando por um grande processo de micro transformação que se reflete no macrocosmo, o mesmo processo que está acontecendo no Universo, de constante transformação que se reflete em nós, seres microcósmicos. A beleza espiritual pode ser considerada a integração das outras, pois quando se é emocionalmente equilibrado, fisicamente saudável e se tem um grau de consciência e aceitação próprias, o ser espiritual que há dentro de nós emergirá refletindo nosso verdadeiro interior, nossa verdadeira essência. Tire as máscaras e use seus recursos internos potencializando o que você tem de melhor!


E lembre-se sempre: a imagem mais linda já vista é o reflexo no espelho quando felizes estamos.


Louise Prates (Maio de 2010, para o Jornal Grande Tijuca)


*Agradecimento especial ao Breno Sampaio pela força na correção ortográfica. ;)




sexta-feira, 2 de abril de 2010

Viagem, destino: consciência


Quando estamos na auto-estrada, dentro de um carro ou ônibus, não é inevitável a reflexão de nossas próprias vidas, após um balanço de tudo que passou, e do que ainda virá? A vontade de viver mais e melhor vem à tona junto com o desejo de descobrir, desbravar, aprender, recomeçar, e fazer tudo novamente, mas pela primeira vez, de novo!

Podemos viajar de maneiras diferentes, seja através dos meios de transporte, usando nossa própria mente ou também espiritualmente. Trilhar o caminho do autoconhecimento é tomar as rédeas da nossa própria charrete. É assumir o controle da direção e seguir em frente, enfrentando as aventuras e desventuras que surjam em sua rota. Ao buscarmos as respostas dentro de nós mesmos experienciamos o desenrolar de um mapa que revela, pouco a pouco, nosso verdadeiro interior.

As viagens nos ensinam a viver, sejam elas para fora ou para dentro de nós mesmos e estimulam o crescimento. Em contato com outras culturas, diferentes cenários e com a manifestação vívida da natureza, abrem-se as cortinas de um palco para ensaiarmos nosso verdadeiro ser. Nos interiorizamos mais e estando diante de um novo pano de fundo podemos escolher como iremos atuar daqui para a frente. Ficamos diante de inúmeros detalhes que aguçam e despertam nossos sentidos. Viajar faz bem pra alma, e repito: tanto pra dentro quanto pra fora. A viagem física, mental ou espiritual é um mergulhar num universo único, cheio de mistérios sobre nossa própria existência, sobre quem somos nós. E desvendar um a um nos dá a verdadeira sensação de liberdade.

É outono. Mire as folhas que caem das copas das árvores. Repare que belo o mergulhar sincronizado que mais parece uma dança ensaiada das folhas que atapetam o chão! Esse espetáculo da natureza ensina-nos a deixar de lado o que não serve mais, para que retorne ao início do ciclo perfeito. A quietude te permitirá essa contemplação, e esta estação austral sugere um pouco mais de recolhimento. Não a hibernação invernal, mas uma fase mais introspectiva, onde o Yin vem acalmar o Yang, onde é possível sentir melhor o aroma de terra molhada, o frescor do orvalho da manhã... É o verdadeiro esquema da vida, o ciclo natural. É a hora onde, segundo os povos xamânicos, " (...) se armazena os frutos dos seus esforços e se examina a si mesmo para descobrir as mudanças nescessárias para progredir". Nosso ser amadurece um pouco mais, escuta mais seu "Eu Superior". Nosso interior pode beneficiar-se resgatando nostalgicamente pedacinhos da nossa história que foram deixados pra trás e que rendem uma colorida colcha de retalhos de boas recordações!

Reduzindo um pouco o ritmo, façamos um balanço geral de nós mesmos. Façamos uma lista daquilo que queremos deixar ir. Preparemos as mochilas, joguemos fora as pedras que carregávamos até agora e continuemos na trilha mais conscientes, mais despertos. Aproveitemos esse momento elevando nosso nível de percepção e tornando consciente os reais propósitos de nossas existências.

Louise Prates
Para o Jornal Grande Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
02 de abril de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010


A Escola dos Números


A ciência dos números há muito tempo exerce fascínio sobre o homem. Na antiguidade foi associado um valor numérico correspondente a cada letra, daí o surgimento da Numerologia. Pitágoras, filósofo e matemático grego, considerado o pai da matemática ensinava que tudo no Universo está organizado matematicamente regendo um ciclo harmônico, e que os números de 1 a 9 contém uma carga vibracional no macrocosmo (universo) regendo princípios universais e no microcosmo (homem) atrelando-se à características e habilidades pessoais ou específicas, clareando assim a compreensão das leis do universo, do comportamento humano e propiciando maior auto-conhecimento à humanidade.

Muita coisa podemos fazer com os números. Podemos marcar as horas no relógio ou mesmo uma data especial no calendário. Podemos também acompanhar nosso rendimento no curso na Escola da Vida. Com esses companheiros inseparáveis, podemos contar e perceber os anos que se passaram a fio, que muitas vezes prestamos atenção pois estamos constantemente assoberbados por conta do ritmo diário de idas e vindas do trabalho, da faculdade entre outras inúmeras atividades que nos exigimos para acompanhar a velocidade da vida moderna.

Agora pare por 1 minuto. Tente se recordar dos seus primeiros anos de vida e de como as coisas pareciam ser tão simples naquela época tão primaveril, observando o padrão vibracional que número 1 traz: a força da iniciativa, dos começos, da implantação de novos projetos, e neste caso, da sua própria existência. Depois, pare por 2 ou 3 tempos e traga à memória os anos dourados da juventude, onde atitude era (ou ainda é) palavra de ordem. O algarismo 2 traz o ensinamento da paciência e da capacidade de adaptação, já o 3 revela o brilho do desenvolvimento pessoal, do crescimento e da expansão. Em 4 minutos, numa curta viagem ao túnel do tempo observamos nossa fase adulta que é reforçada pela vibração deste número par, trazendo o senso de organização, dedicação e muito trabalho. Naturalmente, nesta sinuosa estrada que estamos percorrendo são nescessárias alterações, mudanças e viagens por outros caminhos para que possamos suavizar o impacto das pedras do solo ou mesmo darmos uma paradinha para nos refrescarmos nas águas de uma cachoeira. O 5 ilustra este conceito: a capacidade de transformação para nos adaptarmos durante a jornada da existência. Depois de alguns machucados nos pés, onde pedrinhas feriram ou algum espinho espetou, devemos e temos o direito de curá-las, harmonizando através do 6 que simboliza o amor, a compreensão e o cultivo da vida familiar. Após estarmos regenerados, vêm o instinto lá de dentro da busca pelo auto-conhecimento, por desejarmos saber de onde viemos e pra onde vamos... o retorno àquela espiritualidade não obrigatoriamente religiosa, àquela que faz nos sentirmos mais perto da verdade interior. Após este grande aprendizado trazido pela transcendência do 7, o 8 traz a consciência da justiça e de que precisamos conseguir equilíbrio em meio ao material. E depois de realizar estes 8 momentos de reflexão, percebendo que tudo é um ciclo que se repete infinitamente, exercita a virtude da compreensão, da doação, observando que de nada adianta ter passado por todas essas etapas sem perceber o todo e que é o partilhar conhecimento, emoções e experiências é que no fim nos faz completos.

Que a vibração do início deste novo ciclo traga para todos nós a inspiração para um novo trilhar e a motivação de acreditar sempre!


Louise Prates

(Matéria escrita para o Jornal Grande Tijuca em fevereiro de 2010 - Rio de Janeiro - RJ)


quarta-feira, 3 de março de 2010

organka.rte

Imagem: Flower Head (Jennifer Howland)
Fonte: http://fineartamerica.com/featured/flower-head-jennifer-rowland.html

Organika, orgânica mente

organika.mente é um jeito de ser,
é uma forma de estar,
o experimentar da nossa própria maneira de sentir.

vivenciar a película da vida
degustando todas os matizes
de tudo aquilo que faz bem.

são as cores,
sabores
aromas,
amores (!)
ahhh!

impressões que no caminho se deixa
coisas que se leva... que se traz,
a liberdade de ser O que se é.

é artE & Cultura.
o místico e o sagrado,
o sorriso, o olhar, o abraço!

expressão, expressão!
solte tudo no chão...

transforme raiva em amor,
adube a Terra
com energia positiva,
e espalhe as sementes da união.

(Louise Prates)